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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

VERSOS E RIMAS DO SERTÃO ANTIGO.



Meus versos inda são do tempo 
Que as coisas eram de graça:
Pano medido por vara, 
Terra medida por braça,
 E um cabelo da barba
 Era uma letra na praça. 

Já tive muito prazer,   
Hoje só tenho agonia!              
Não sinto porque sou cego,
Eu sinto é falta do guia! 
Quando mamãe era viva, 
Eu era um cego que via! 

Uma morrinha no gado 
É derrota em fazendeiro, 
E um cavalo ruim 
Derrota dum vaqueiro! 
A derrota do país 
É dever no estrangeiro!         

Fui moço, hoje estou velho! 
Pois o tempo tudo muda! 
Já fui um dos cantadores 
Chamado Deus nos acuda ... 
Este que estão vendo aqui 
Foi Zé Duda do Zumbi!   
Hoje Zumbi do Zé Duda!

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